quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

O fim talvez...



É como estar caindo de um abismo. O fim? Não tem!
    Um lugar escuro e frio, porem quente e úmido, com pouco ar. O chão é cheio de pedras e buracos, as paredes são feitas de musgo. O lugar em si tem cheiro de queimado, como se algo realmente estivesse pegando fogo.
    Procuro entender como fui parar aqui, a cada passo dado jamais me imaginei um dia cair em um buraco desses.
    A minha familia no momento são os ossos, não escutam, não falam e não sentem, já os meus amigos são a luz, impossível de achar-los ou toca-los.
    Minha distração é ficar contando os ossos e esperar até que eu vire um deles. Se fosse agora não me importaria, esse buraco de amargura está acabando comigo mesmo, porque não agora? Minha voz já não sai e os meus olhos já não enxergam nada além da escuridão.
    Nessas horas eu só queria alguém para me abraçar e dizer que tudo isso vai acabar, e que logo estarei sob a luz do sol, por mais que não fosse verdade, a mentira me confortaria nesse momento.
    Preciso dar um jeito de cavar um túnel e achar uma saída para me livrar deste mar de angústia e escuridão.
    Mas quem sabe esse seja só o começo, e o fim não esteja nem um pouco próximo, e esse túnel seja mais longo do que eu imagino. Que assim seja, esperarei até o fim chegar, e cavarei até uma saída encontrar. Mas se o fim vier daqui a um ano, e tudo acabe em uma apocalipse de terror e desespero, não será tão trágico para mim, apesar de não poder ver como tudo irá terminar, para mim terminará em plena calmaria, como as ondas do mar em pleno amanhecer.

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