É como estar caindo de um abismo. O fim? Não tem!
Um lugar escuro e frio, porem quente e úmido, com pouco ar. O chão é cheio de
pedras e buracos, as paredes são feitas de musgo. O lugar em si tem cheiro de
queimado, como se algo realmente estivesse pegando fogo.
Procuro entender como fui parar aqui,
a cada passo dado jamais me imaginei um dia cair em um buraco desses.
A minha familia no momento são os
ossos, não escutam, não falam e não sentem, já os meus amigos são a luz,
impossível de achar-los ou toca-los.
Minha distração é ficar contando os
ossos e esperar até que eu vire um deles. Se fosse agora não me importaria,
esse buraco de amargura está acabando comigo mesmo, porque não agora? Minha voz
já não sai e os meus olhos já não enxergam nada além da escuridão.
Nessas horas eu só queria alguém
para me abraçar e dizer que tudo isso vai acabar, e que logo estarei sob a luz
do sol, por mais que não fosse verdade, a mentira me confortaria nesse momento.
Preciso dar um jeito de cavar um
túnel e achar uma saída para me livrar deste mar de angústia e escuridão.
Mas quem sabe esse seja só o começo, e o fim não esteja nem um pouco próximo, e
esse túnel seja mais longo do que eu imagino. Que assim seja, esperarei até o
fim chegar, e cavarei até uma saída encontrar. Mas se o fim vier daqui a um
ano, e tudo acabe em uma apocalipse de terror e desespero, não será tão trágico
para mim, apesar de não poder ver como tudo irá terminar, para mim terminará em
plena calmaria, como as ondas do mar em pleno amanhecer.

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